Saúde
Essa dobrinha na orelha pode apontar riscos eminentes de infarto; entenda
A morte inesperada de figuras conhecidas costuma ampliar debates sobre saúde e prevenção. Em um país onde as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de óbitos — respondendo por cerca de 30% das mortes anuais, segundo dados do Ministério da Saúde — qualquer indício associado ao coração ganha repercussão.
Nos últimos dias, uma característica física específica voltou ao centro das atenções nas redes sociais, levantando questionamentos sobre sua real relação com problemas cardíacos. O influenciador Henrique Maderite, de 50 anos, conhecido pelo bordão “quem fez, fez”, morreu em 6 de fevereiro após um infarto em Ouro Preto, Minas Gerais.
Após a confirmação da causa da morte, internautas passaram a comentar que ele apresentava, em vídeos publicados anteriormente, uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, popularmente chamada de Sinal de Frank.
A marca foi descrita na década de 1970 por um médico norte-americano, que sugeriu uma possível ligação entre essa prega e a presença de doença arterial coronariana, condição caracterizada pela obstrução das artérias que irrigam o coração.
Apesar da ampla divulgação da teoria ao longo dos anos, especialistas recomendam cautela. O cardiologista Delcio Gonçalves da Silva Junior, do Humap-UFMS, explica que os estudos iniciais sobre o tema foram baseados principalmente em observações e relatos de casos, o que limita a confiabilidade da associação.
Segundo ele, pesquisas mais recentes até apontam alguma correlação, mas a capacidade do sinal de prever com precisão eventos cardiovasculares é considerada baixa, contudo, não deve ser ignorada.
Ele ressalta que menos de 20% das pessoas com essa prega apresentam probabilidade de desenvolver complicações cardíacas, enquanto muitos pacientes com doença coronariana significativa não exibem a característica.
De acordo com o especialista, a avaliação adequada do risco depende de consulta médica, análise de histórico familiar, idade, presença de sintomas e hábitos de vida. Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e angiotomografia coronária contribuem para uma estimativa mais segura.
A principal orientação é priorizar o acompanhamento regular e investir em medidas preventivas, já que nenhum sinal isolado substitui uma investigação clínica completa.