Esportes
Jogadora Carol Solberg sofre punição da FIVB após comemorar prisão de Bolsonaro
A punição aplicada à jogadora de vôlei de praia Carol Solberg pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) reacendeu o debate sobre os limites da manifestação política no esporte de alto rendimento, especialmente em competições internacionais com forte exposição midiática.
O que motivou a punição da FIVB a Carol Solberg?
O caso ocorreu em 23 de novembro de 2025, logo após Carol Solberg e a parceira Rebecca conquistarem a medalha de bronze em etapa do Circuito Mundial, na Austrália, quando a atleta comentou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista oficial.
Com a bandeira do Brasil nas mãos, Carol classificou Bolsonaro como “o pior presidente da história do Brasil” e afirmou que sua prisão deveria ser celebrada, o que levou a FIVB a enquadrar a fala como conduta antidesportiva e a suspendê-la da primeira etapa do Circuito Mundial de 2026, em João Pessoa. Veja o vídeo do momento da fala da jogadora (Reprodução/X/@SevlaAniger):
A filha da Izabel do vôlei é um orgulho do Brasil civilizado.
SOMOS TODOS CAROL SOLBERG. pic.twitter.com/h8AYboBJhC— SevlaAniger🚩👈🏼⬅️ (@SevlaAniger) February 20, 2026
Como a FIVB justificou a punição e quais são os impactos esportivos?
De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a FIVB considerou que a manifestação de Carol violou regras que proíbem declarações ofensivas ou que possam gerar hostilidade em ambiente esportivo internacional, reforçando a tentativa de manter neutralidade política nos eventos.
No comunicado divulgado, a FIVB classificou o ato como “comportamento antidesportivo”, sem detalhar o artigo exato do regulamento, e a sanção pode afetar calendário, pontuação no ranking, contratos de patrocínio e planejamento técnico da dupla Carol e Rebecca ao longo de 2026.
Quais as polêmicas envolvendo Carol Solberg?
Carol Solberg já havia sido julgada em 2020 pelo STJD do Voleibol no Brasil, após gritar “Fora Bolsonaro” em entrevista, sendo posteriormente absolvida com base na liberdade de expressão, o que consolidou sua imagem como atleta politicamente engajada.
Agora, o embate envolve não apenas tribunais nacionais, mas também uma federação internacional com regulamentos próprios, gerando tensão entre decisões anteriores do STJD, a legislação brasileira e as diretrizes globais do voleibol profissional:
- Em 2020, Carol foi julgada e absolvida pelo STJD no Brasil por manifestação política.
- Em 2025, a punição partiu da FIVB, ligada diretamente ao Circuito Mundial de Vôlei de Praia.
- O novo contexto marca maior vigilância de entidades esportivas sobre falas políticas públicas.
Quais são os principais pontos do debate sobre o caso?
A legislação brasileira reconhece a liberdade de expressão como direito fundamental, mas federações esportivas, amparadas em sua autonomia privada e regulamentos internos, costumam impor limites a manifestações partidárias em competições oficiais, sobretudo em eventos globais.
Juristas e dirigentes argumentam que a linha entre opinião legítima e quebra de neutralidade esportiva é tênue, o que leva a revisões de códigos de conduta, aumento da orientação a atletas e possível judicialização em instâncias esportivas internacionais e tribunais civis.
Qual pode ser o impacto do caso da jogadora?
A suspensão de Carol na etapa de João Pessoa se torna referência para futuros casos, pois atletas, clubes e entidades acompanham a repercussão pública e jurídica para calibrar estratégias de comunicação, ativismo e proteção institucional diante de manifestações políticas.
Além do efeito imediato na carreira da jogadora, o episódio reforça o debate sobre até que ponto o esporte de alto rendimento pode permanecer “neutro” em um cenário global em que se espera cada vez mais posicionamentos públicos de atletas sobre temas sociais e políticos.