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Manoel Carlos: Relembre a trajetória do autor que marcou a história do horário nobre da TV

Manoel Carlos Relembre a trajetoria do autor que marcou a

Quando se fala em novela das nove, poucos nomes são tão imediatamente associados ao horário nobre quanto Manoel Carlos, que morreu neste sábado (10/01), aos 92 anos. Conhecido como “Maneco” e apelidado de “Vovô do Leblon”, o autor construiu uma das trajetórias mais longevas e influentes da teledramaturgia brasileira. Escritor, diretor, produtor e ex-ator, ele se destacou por transformar o cotidiano da classe média-alta do Rio de Janeiro em dramas intimistas, marcados por diálogos densos, conflitos morais e personagens femininas fortes.

Nascido em 1933, na cidade de São Paulo, Manoel Carlos foi um dos pioneiros da televisão no Brasil. Ainda nos anos 1950, integrou o elenco da extinta TV Tupi, quando a linguagem televisiva ainda estava em formação. Em 1952, escreveu sua primeira novela, “Helena”, exibida pela TV Paulista, uma adaptação do romance homônimo de Machado de Assis — já demonstrando sua inclinação por narrativas centradas em emoções humanas e relações familiares.

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Ao longo de décadas de carreira, Maneco passou por diferentes emissoras até firmar parceria com a TV Globo, onde estreou em 1978 com “Maria, Maria”, protagonizada por Nívea Maria e Cláudio Cavalcanti. O reconhecimento definitivo veio dois anos depois, com “Água Viva” (1980), escrita em colaboração com Gilberto Braga. A novela é considerada um marco da teledramaturgia e consolidou o autor como um cronista dos dilemas da burguesia carioca, tema que o acompanharia até o fim da carreira.

Foi também nesse período que Manoel Carlos criou uma de suas marcas mais reconhecíveis: as protagonistas chamadas Helena. A primeira foi vivida por Lilian Lemmertz em “Baila Comigo” (1981). O nome se repetiu como assinatura autoral em diferentes décadas, passando por Maitê Proença em “Felicidade” (1991), Regina Duarte em “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997) e “Páginas da Vida” (2006), além de Vera Fischer em “Laços de Família” (2000), Christiane Torloni em “Mulheres Apaixonadas” (2002), Taís Araújo em “Viver a Vida” (2009) e Julia Lemmertz em “Em Família” (2014), sua última novela. Nesta produção, a personagem também foi interpretada por Bruna Marquezine na fase jovem.

Além do sucesso artístico, Manoel Carlos ficou conhecido por abordar temas sensíveis e socialmente relevantes em pleno horário nobre, como leucemia, homofobia, bissexualidade, síndrome de Down, etarismo, alcoolismo e conflitos familiares complexos. Seus textos priorizavam diálogos longos e reflexivos, com foco no comportamento humano e nas relações afetivas, característica que se tornou sua principal assinatura.

Fora da ficção, porém, a vida pessoal do autor foi marcada por tragédias profundas. Manoel Carlos perdeu três filhos ao longo da vida — duas filhas e um filho — em circunstâncias diferentes. As perdas atravessaram sua trajetória de forma silenciosa, mas influenciaram o tom melancólico e introspectivo de muitas de suas histórias. Em entrevistas, o autor admitiu que o luto moldou sua visão de mundo e, inevitavelmente, sua escrita.

Com a morte de Manoel Carlos neste sábado (10/01), a televisão brasileira se despede de um de seus principais arquitetos. Seu legado permanece vivo em novelas que atravessaram gerações e ajudaram a definir o padrão da dramaturgia nacional, transformando o cotidiano em espetáculo e a sensibilidade em marca definitiva.

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