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‘Deixa de ser cruel, minha filha’: Caco Barcellos desabafa sobre a relação com a família durante o trabalho
Durante o evento de inovação Rio2C, realizado no Rio de Janeiro, o jornalista Caco Barcellos relatou os impactos de sua cobertura da guerra no Irã em sua vida pessoal. Em painel conduzido ao lado de Sara Pavani, o profissional de 76 anos revelou que a incursão ao Oriente Médio gerou questionamentos por parte de sua filha Alice, de 27 anos.
A reportagem mencionada foi exibida pelo programa Fantástico e abordou os efeitos dos bombardeios comandados pelos governos dos Estados Unidos e de Israel sobre a população civil iraniana. Para realizar o trabalho, a equipe do Profissão Repórter enfrentou problemas de saúde do jornalista e superou um trajeto de 300 quilômetros pela Turquia sob condições climáticas adversas.
O jornalista enfrentou fortes dores decorrentes de um erro médico que afetou os movimentos de seu pé, o que exigiu o uso de uma bengala durante a viagem. “Foi difícil, porque a minha filha, que tem seus 27 anos, disse: ‘Ah pai, por que você está indo para essa guerra? Caramba, você fez tanta coisa na vida e tal’. Ela foi meio cruel comigo. Falei: ‘Pô, deixa de ser cruel, minha filha. Acho que eu tenho que contar essa história‘”, confessou o jornalista.
Conflitos urbanos e coberturas
A comitiva da emissora Globo foi uma das três únicas equipes estrangeiras autorizadas a circular pelo território iraniano na ocasião, junto a veículos da Rússia e da Grã-Bretanha. Barcellos minimizou o ineditismo do acesso e atribuiu a exclusividade à falta de interesse de outros grupos de mídia em cobrir tais realidades.
O repórter comparou a situação do Irã com a cobertura jornalística das comunidades da capital fluminense, citando a divisão social existente na cidade. Ele relembrou que esteve pessoalmente no Complexo da Penha para registrar os resultados de uma megaoperação policial que resultou em mais de 120 mortes.
Mudanças na estrutura profissional
A ação policial citada ocorreu com o objetivo de desarticular o domínio da facção Comando Vermelho na localidade e ficou registrada como a mais letal da história fluminense. Barcellos criticou a ausência de profissionais de imprensa, de forma geral, no acompanhamento cotidiano desses conflitos nas periferias.
O jornalista permanece na emissora Globo, onde atua desde o ano de 1982. A estrutura do programa Profissão Repórter passará por modificações e retornará ao formato de quadro do Fantástico.