Famosos
Lembra dele? Ator travou disputa contra emissora, venceu na Justiça, mas morreu sem receber
Apesar da presença constante de Flávio Migliaccio (1934-2020) na memória dos brasileiros através de reprises como a de Rainha da Sucata, onde brilhou no papel de Seu Moreiras, o ator encerrou sua vida sem o desfecho positivo de uma longa disputa judicial. O artista passou quase duas décadas envolvido em um desgaste processual contra a antiga TVE, buscando reparação pela perda de um patrimônio cultural significativo.
O conflito jurídico teve origem quando Migliaccio constatou que o tempo havia destruído centenas de fitas contendo a série Tio Maneco, obra que ele próprio criou e protagonizou entre 1981 e 1985. Segundo relatos da época, o ator processou a emissora por ter negligenciado a preservação de aproximadamente 400 dos 444 episódios produzidos. Essa batalha por reconhecimento e responsabilização pelo descarte do material que registrava parte fundamental de sua trajetória artística acompanhou o veterano até seus últimos anos, marcando um período de grande frustração fora dos holofotes.
Família deu continuidade ao processo
O personagem Tio Maneco, criação icônica de Flávio Migliaccio, transcendeu a televisão e conquistou diversas gerações também através das telas de cinema, marcando presença em produções como Aventuras com Tio Maneco, O Caçador de Fantasmas, Maneco, o Super Tio e Os Porralokinhas. Embora o ator tenha obtido uma conquista jurídica relevante em vida, ele faleceu em maio de 2020 sem ter recebido a indenização milionária que pleiteava. Após o ocorrido, sua esposa, Yvonne Migliaccio, e seu filho, o jornalista Marcelo Migliaccio, assumiram a continuidade do processo na condição de sucessores legais.
Processo enfrentou novos obstáculos
O embate processual tornou-se ainda mais complexo após o falecimento do artista, quando a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, que sucedeu a antiga TVE no polo passivo da ação, solicitou a suspensão do trâmite judicial. Essa estratégia da entidade foi alvo de severas críticas por parte da família de Migliaccio, sendo veementemente combatida pelo advogado Sylvio Guerra, que expressou forte indignação diante da tentativa de interromper o curso do processo.
“A ACERP deu uma de ‘urubu na carniça’, meramente para fins procrastinatórios, já que o processo está com o perito e não depende de nenhum ato das partes ou da juíza, não havendo qualquer necessidade de suspensão. Comportamento desrespeitoso, desleal, odioso e que tangencia a má-fé processual”, declarou.