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Três Graças: Lucélia tira a máscara de boa moça e vilãs entram em surto na reta final
De acordo com Duh Secco, do portal Notícias da TV, as vilãs de Três Graças entraram em surto na reta final da novela das nove. Lucélia (Daphne Bozaski) arrancou a máscara de boa moça e tomou o posto de Bagdá (Xamã) na Chacrinha. Helga (Kelzy Ecard) assumiu a culpa de um crime cometido por Arminda (Grazi Massafera), por quem está apaixonada. Samira (Fernanda Vasconcellos) voltou ao Brasil disposta a tirar do caminho quem cruzar com ela.
Nas redes sociais, parte do público aponta incoerências na trajetória das personagens, especialmente a de Lucélia. A sobrinha de Kasper (Miguel Falabella), antes maledicente e sonsa, agora anda de arma em punho, dispara tiros e larga comentários ácidos. Daphne Bozaski segue à vontade no papel da pestinha que cresceu rápido demais.
A herança das vilãs surtadas de Aguinaldo Silva em Três Graças
Aguinaldo Silva é mestre nesse tipo de virada. O exemplo mais lembrado é o de Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do Destino (2004). A vilã protagonizou cenas absurdas, mas que faziam sentido dentro do universo proposto pelo autor e da personalidade tresloucada da personagem. Maria Regina (Leticia Spiller), em Suave Veneno (1999), e Silvia (Alinne Moraes), em Duas Caras (2007), seguiram a mesma linha de loucura calculada.
O traço vem dos tempos em que Aguinaldo conduzia folhetins pautados pelo realismo mágico. Em Tieta (1989), Perpétua, papel inesquecível de Joana Fomm, saiu de moralista gananciosa para protótipo de bruxa, tentando voar de vassoura nos minutos finais. Em A Indomada (1997), Altiva, eternizada por Eva Wilma (1933-2021), trilhou o mesmo caminho. A reverência a Silvia, de Duas Caras, aparece quando Samira se apresenta como Silvia Pessoa ao desembarcar no Brasil em Três Graças.
Por que a loucura segura a audiência na reta final de Três Graças
Com os conflitos praticamente resolvidos, vilania e loucura ajudam a manter o interesse do público nesta etapa. Aguinaldo Silva divide o texto com Virgílio Silva e Zé Dassilva e aposta na imprevisibilidade. É a mesma lógica das tramas verticais que viralizam nas redes sociais e até das narrativas estreladas por frutas geradas por inteligência artificial. Se os novos formatos lançam mão desses ganchos, a novela, que praticamente inventou o macete, está no direito de usar.