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Grandes clubes se afastam de reunião com governo após declaração de Lula sobre fim das bets – Terra Brasil Notícias

Grandes clubes se afastam de reuniao com governo apos declaracao

A decisão do governo federal de proibir as casas de apostas no Brasil provocou reação entre os principais clubes do futebol brasileiro. Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Santos e São Paulo informaram que não pretendiam enviar representantes para a reunião que havia sido marcada para esta terça-feira (29), em Brasília, para discutir os impactos da medida sobre o futebol.

O encontro foi articulado pelo governo, com participação prevista de integrantes dos ministérios do Esporte, da Fazenda e do Planejamento, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A reunião, porém, acabou adiada pelo Ministério do Esporte, que informou que uma nova data será definida posteriormente.

A mobilização dos clubes ocorreu depois de uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (28). Ao ser questionado sobre as possíveis perdas provocadas pelo fim dos patrocínios de empresas de apostas, Lula afirmou que “os clubes que se virem” e citou a possibilidade de os times adotarem o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como alternativa de gestão e captação de recursos.

Clubes questionam impacto financeiro

A Medida Provisória assinada por Lula em 25 de setembro determinou o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A mudança afeta diretamente um mercado que se tornou uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro.

Segundo dados da Sports Value citados pelo Poder360, as empresas de apostas movimentaram R$ 1,143 bilhão em investimentos nos 20 clubes brasileiros de maior receita em 2025, valor equivalente a cerca de 36% das receitas de marketing dessas equipes.

O fim desses contratos levou dirigentes a manifestarem preocupação com o impacto sobre orçamentos, folha salarial, contratações e demais compromissos financeiros assumidos pelos clubes.

Corinthians deve participar

Entre os principais clubes do país, o Corinthians era apontado como uma das equipes que poderiam enviar representante ao encontro.

O clube paulista mantém negociações com a Caixa Econômica Federal envolvendo a dívida relacionada à Neo Química Arena. Nesse contexto, a proximidade com o governo federal também é considerada relevante para as tratativas.

Já o Palmeiras justificou a decisão de não participar afirmando que permanece aberto ao diálogo, mas considera inadequado discutir um tema dessa dimensão às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).

O clube também avaliou que os efeitos da medida são complexos e exigiriam uma análise mais aprofundada antes de uma discussão com o governo.

Governo estuda alternativas

Apesar da reação dos clubes, o governo federal sinalizou que pretende discutir alternativas para o futebol após a mudança nas regras das apostas.

Entre as possibilidades em discussão está a criação de mecanismos de financiamento para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Segundo o SBT News, uma das propostas avaliadas é uma linha de crédito federal que poderia chegar a R$ 20 bilhões, destinada à reestruturação financeira das equipes.

Com o adiamento, governo, CBF e clubes deverão definir uma nova data para discutir os efeitos econômicos da proibição das bets e possíveis alternativas para compensar parte das receitas que deixarão de ser geradas pelo setor.

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