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Roberto Kovalick interrompe o programa de Ana Maria e confirma triste falecimento: ‘morreu…’
Roberto Kovalick foi acionado ao vivo no programa de Ana Maria Braga para dar notícias sobre o desaparecimento da aeronave que levava o cantor Rick e outras três pessoas. Logo depois da atualização sobre o caso, com informações sobre as buscas, Kovalick deu uma outra notícia triste. “Ana, tem uma outra notícia que surgiu agora de manhã, uma notícia triste para o jornalismo e para a literatura do Brasil”, afirmou. “Morreu no Rio aos 95 o jornalista e escritor Zuenir Ventura”, disse Kovalick ao vivo.
Com mais de seis décadas de atuação profissional, ele construiu uma trajetória marcada pelo jornalismo, pela literatura e pela cobertura de acontecimentos políticos e sociais do Brasil. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, também jornalista, e Elisa Ventura, editora. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), a morte ocorreu em casa, em decorrência de uma pneumonia.
Zuenir era imortal da ABL
Zuenir era integrante da Academia Brasileira de Letras e ocupava a Cadeira nº 32 desde 2014, quando foi eleito para suceder o escritor Ariano Suassuna. Nascido em Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, ele teve diferentes ocupações antes de se consolidar no jornalismo, entre elas as de pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor universitário. Durante a formação, teve contato com nomes como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
Um dos trabalhos mais conhecidos de sua carreira foi o livro 1968 – o ano que não terminou, lançado em 1988. A obra recuperou acontecimentos e transformações daquele período da história brasileira e posteriormente serviu de inspiração para a minissérie Os anos rebeldes, produzida pela TV Globo. No início de 1989, Zuenir também foi enviado ao Acre como repórter especial para investigar o assassinato do seringueiro e líder sindical Chico Mendes. A cobertura resultou em uma série de reportagens premiada.



Durante o trabalho no Acre, Zuenir se aproximou de Genésio, então testemunha do caso e ainda adolescente. O jornalista relatou posteriormente que decidiu assumir a tutela do garoto, que estava sob proteção policial e permanecia ameaçado. A experiência se tornou uma das histórias pessoais mais marcantes associadas à sua trajetória profissional.
Zuenir era jornalista premiado
Outro destaque de sua produção foi Cidade Partida, publicado em 1994. O livro abordou a violência, a desigualdade e as divisões sociais do Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral, após a chacina que matou 21 pessoas em 1993. Zuenir recebeu o Prêmio Jabuti, o Prêmio Esso e o Vladimir Herzog, além de uma homenagem da Organização das Nações Unidas em 2008 por sua atuação na defesa dos direitos humanos. Também trabalhou no audiovisual, participando da codireção de Um Dia Qualquer e do roteiro do documentário Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje.