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Wagner Moura fala sobre polarização e aponta ameaça à democracia: ‘Esses caras inventaram’
Wagner Moura voltou a comentar sua relação com a política e afirmou que pretende fortalecer o diálogo com pessoas que possuem opiniões diferentes das suas, incluindo representantes da direita. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, exibido na terça-feira (4), o ator abordou a polarização política, os desafios enfrentados pela democracia e os temas presentes na peça Um Julgamento, que está em turnê. A conversa foi gravada em Atenas, na Grécia, onde o artista destacou a importância da convivência entre pensamentos divergentes e defendeu a tolerância como elemento essencial para o funcionamento democrático. Para ele, uma das maiores dificuldades do momento atual é a falta de uma compreensão compartilhada sobre a realidade.
Durante o bate-papo, Wagner Moura avaliou que, no passado, pessoas com diferentes posicionamentos ideológicos conseguiam discutir a partir dos mesmos acontecimentos, mas afirmou que esse cenário se transformou nos últimos anos. Na visão do ator, as divergências passaram a ser marcadas por versões distintas dos fatos, o que dificulta o entendimento entre grupos com opiniões opostas.
Wagner também lembrou o período de preparação para interpretar um personagem no filme Guerra Civil, lançado em 2024, e relacionou o crescimento da polarização ao enfraquecimento das instituições democráticas. Segundo o artista, a divisão extrema entre grupos políticos pode prejudicar o debate público e abrir espaço para questionamentos sobre a estabilidade da democracia. “A maior ameaça à democracia que esses caras inventaram aqui é a polarização”, declarou.
Wagner Moura rebate críticas sobre posicionamento político e vida fora do Brasil
Durante a entrevista, Wagner Moura também falou sobre as críticas que recebe por defender pautas de esquerda após conquistar reconhecimento profissional e estabilidade financeira. O ator relembrou sua origem em Rodelas, na Bahia, e questionou a ideia de que uma mudança na condição econômica deveria modificar suas convicções políticas. Ele ainda comentou os julgamentos relacionados ao fato de morar fora do Brasil e afirmou não entender as críticas feitas sobre sua trajetória.
Wagner Moura sobre suas opiniões políticas: "eu sou o mesmo cara que tava lá em Rodelas".
— TV Globo (@tvglobo)
O artista destacou que sua carreira foi impulsionada por oportunidades ligadas a políticas públicas de incentivo à cultura em Salvador, que também contribuíram para a formação de outros nomes da dramaturgia brasileira, como Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. Segundo Wagner Moura, o acesso à cultura e a criação de oportunidades são fatores fundamentais para o surgimento de novos talentos.
Ator defende afeto e diálogo mesmo diante de críticas constantes
Apesar das divergências políticas, Wagner Moura afirmou que considera legítimos debates sobre temas como o tamanho do Estado, impostos e gastos públicos. Para ele, o problema está quando essas discussões deixam de acontecer de forma construtiva e são substituídas por ataques pessoais. O ator defendeu a retomada do diálogo como caminho para lidar com as diferenças e destacou que a democracia depende da capacidade de ouvir e conviver com opiniões contrárias.