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Luciano Huck vira alvo da Justiça a poucos dias das eleições depois do que fez ao vivo no Domingão

Luciano Huck vira alvo da Justica a poucos dias das

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul abriu uma investigação para apurar se a divulgação da plataforma Tem Meu Voto por Luciano Huck e pela TV Globo pode ter configurado infração à legislação eleitoral. A apuração teve origem em uma representação apresentada pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) à Procuradoria-Geral Eleitoral. O caso ganhou repercussão depois que o apresentador apresentou a ferramenta durante o Domingão, no domingo (27), às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026.

A plataforma permite que o eleitor responda a perguntas sobre oito temas e compare suas posições com as de candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas. Segundo informações divulgadas pela própria iniciativa, o sistema foi relançado em setembro e reúne dados de candidaturas de todo o país. Ao apresentar a ferramenta na televisão, Huck explicou como funciona o chamado “match” entre o perfil do eleitor e as posições dos candidatos. “São quase 20 mil candidaturas na base, é apartidário, não indica candidato, não indica voto, a decisão é do eleitor”, afirmou o apresentador.

Reclamações de usuários

A reclamação apresentada à Justiça Eleitoral está relacionada a relatos publicados por usuários nas redes sociais, que disseram ter recebido principalmente candidaturas identificadas com posições de direita mesmo após responderem ao questionário de maneira que consideravam compatível com ideias de esquerda. Esses relatos passaram a levantar dúvidas sobre o funcionamento do sistema e sobre os critérios utilizados para calcular o percentual de afinidade. As manifestações nas redes, por si só, não comprovam que a plataforma tenha sido programada para favorecer uma corrente política específica.

Vereador petista questiona ferramenta

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) também questionou a ferramenta e pediu que ela deixasse de ficar disponível. Segundo ele, um sistema com capacidade de influenciar a escolha de eleitores deveria apresentar critérios transparentes e aplicados de maneira equivalente às diferentes candidaturas. A investigação do MPF deverá analisar justamente as circunstâncias relacionadas à divulgação da plataforma e eventual impacto eleitoral da iniciativa. A abertura da apuração não significa que tenha sido constatada irregularidade ou que Luciano Huck, a Globo ou os responsáveis pelo site tenham cometido uma infração.

Os responsáveis pelo Tem Meu Voto negam favorecimento político e afirmam que a ferramenta utiliza uma metodologia pública. A plataforma informa que, quando uma candidatura responde diretamente ao questionário, essa resposta é utilizada no cálculo; quando isso não ocorre, podem ser considerados registros parlamentares, conforme os critérios estabelecidos pela iniciativa. A organização também sustenta que o resultado representa apenas uma afinidade temática e não uma recomendação de voto. A ferramenta foi criada originalmente em 2018 e, segundo dados divulgados pela própria iniciativa, teve mais de 1,3 milhão de usuários naquela eleição.

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